Proposta de interface do produto Olho Vivo
Meu papel
Designer de experiências digitais, da pesquisa de campo ao PRD
Período
2026, do problema nebuloso ao recorte do MVP.
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Olho Vivo

Pesquisa aplicada em Palmital virou personas, jornadas e a base do Olho Vivo: um web-app de bolso para acompanhar promessas de prefeito e vereadores, com módulo de educação política integrado.

Visão Geral

Time
Projeto solo, como pesquisador e designer, da investigação do problema à definição do produto.
Métodos
Dados secundários, 5W2H, survey com 50 respostas, 8 entrevistas, diagrama de afinidade, personas, mapas de empatia, jornadas, matriz esforço x impacto e PRD.
Ferramentas
Figma, FigJam, Notion e Google Forms.
Principal resultado
A pesquisa virou um PRD com o recorte do MVP: rastreador de promessas + módulo de educação política em um web-app PWA, com app nativo na fase seguinte.
Conceito visual do Olho Vivo gerado a partir da pesquisa
Conceito visual do Olho Vivo gerado a partir da pesquisa

O risco era desenhar uma solução com cara de aplicativo cívico, mas desconectada da vida real. Antes de propor interface, a prioridade foi entender como a população se informa, em quem confia e o que impede uma cobrança mais ativa.

1. O contexto e o problema

Em Palmital, SP, cerca de 19 mil pessoas elegem prefeito e vereadores a cada quatro anos. Mesmo assim, a pesquisa apontou que muita gente não sabe distinguir as atribuições de cada cargo, acompanhar promessas ou identificar fontes confiáveis.

O risco era desenhar uma solução com cara de aplicativo cívico, mas desconectada da vida real. Antes de propor interface, a prioridade foi entender como a população se informa, em quem confia e o que impede uma cobrança mais ativa.

2. O diagnóstico: o que a solução precisava considerar

Três barreiras apareceram logo nos primeiros dados:

Baixa clareza política Mais da metade dos respondentes não conseguia separar o papel do prefeito do papel dos vereadores.
Canais oficiais fracos Apenas 12% usavam sites oficiais para se informar, enquanto rádio, conversas e WhatsApp sustentavam a rotina local.
Confiança antes de engajamento A desconfiança não era falta de interesse, mas resultado de promessas pouco acompanhadas e informação difícil de verificar.

Como ajudar cidadãos de Palmital a compreender e acompanhar o trabalho do prefeito e dos vereadores de forma simples, acessível e confiável?

Essa pergunta norteadora se apoiou em quatro premissas de pesquisa:

  1. Contexto local importa. Palmital tem escala pequena, dinâmica de cidade próxima e canais de informação muito informais.
  2. Acesso não garante uso. Ter internet não significa buscar informação política por canais oficiais.
  3. Educação política é parte do produto. Sem explicar papéis e responsabilidades, qualquer rastreador vira ruído.
  4. Confiança precisa ser construída. O produto precisava parecer verificável, direto e útil antes de pedir engajamento.

3. A pesquisa: do dado secundário ao campo

A pesquisa começou com dados do Senado, IBGE, Câmara dos Deputados e fontes locais. Depois, usei 5W2H para estruturar o problema, survey para medir percepção e entrevistas para entender linguagem, confiança e comportamento.

Framework 5W2H preenchido para mapear o problema do Olho Vivo
5W2H usado para estruturar o problema antes do campo
Diagrama de afinidade organizando os achados das 8 entrevistas

As fontes secundárias ajudaram a separar achismo de contexto. Elas mostraram limitações de educação política, dados sociais e condições econômicas que influenciaram diretamente o desenho do survey e do roteiro.

O que a pesquisa revelou:

12% usam sites oficiais da prefeitura ou câmara para se informar.
+50% não distingue com clareza as atribuições do prefeito e dos vereadores.
80% dos eleitores brasileiros acreditam que políticos não cumprem promessas de campanha.

4. Síntese: duas personas, duas barreiras diferentes

A pesquisa deixou claro que uma solução única excluiria parte do público. O cidadão instruído tem acesso digital, mas pouco tempo e motivação. O cidadão do povo tem mais dependência de canais informais e menor letramento digital.

5. Jornadas: onde cada perfil se perde no ciclo político

As jornadas revelaram que o problema não estava em um único ponto do fluxo. Ele aparece no momento de entender propostas, acompanhar mandatos, identificar responsabilidade e decidir se vale a pena participar.

6. Ideação: divergir antes de escolher

Antes de fechar uma solução, abri o leque. Usei IA como parceira de ideação para forçar variedade e fugir da primeira ideia óbvia (um app político genérico). Depois fiz a curadoria à mão: cortei por impacto x esforço, dado o contexto de designer solo.

6 direções exploradas:

  1. Rastreador de promessas. Status visual + fonte verificável por promessa.
  2. Glossário cívico. Termos políticos traduzidos em linguagem de feira.
  3. Comparador de cargos. "O que faz prefeito x o que faz vereador" lado a lado.
  4. Bot de WhatsApp. Resposta automática para "qual o status da promessa X?".
  5. Newsletter local mensal. Resumo de promessas em e-mail e mensagem.
  6. Checklist em PDF. Material offline para quem não usa app.

A matriz esforço x impacto cortou para três frentes complementares: uma core (digital), uma de distribuição (social) e uma de inclusão (offline).

7. Direção de produto: três frentes priorizadas

Rastreador + educação política Núcleo do produto. Web-app de bolso para acompanhar promessas com status claros, fontes verificáveis e explicação inline de papéis dos cargos.
Campanha em redes sociais Distribuição. Conteúdo educativo para o público que já usa canais digitais, sem depender de sites oficiais como ponto de partida.
Checklist em PDF Suporte offline. Material físico e compartilhável para pessoas com menor acesso digital ou menor conforto com tecnologia.

8. O recorte do MVP: o que entra primeiro, o que vai depois

O MVP combina rastreador de promessas e módulo de educação política num único web-app PWA, escopo Palmital, curadoria por admin único. Redes e PDF entram como apoio depois do lançamento. App nativo é fase 2.

Fase 0: Protótipo Wireframe + protótipo navegável em Figma, validado com 5 a 8 cidadãos de Palmital em teste de guerrilha.
Fase 1: Web-app PWA Lançamento público, instalável no celular, 30 promessas pré-cadastradas, analytics ativos (GA4 + Clarity).
Fase 2: App nativo Migração motivada por notificações push, offline completo e favoritos. Reusa o design system da v1.

9. Métricas de sucesso: como saberemos que funcionou

Sem indicadores, "pronto" vira opinião. O PRD fecha quatro métricas-âncora para a v1 do web-app, definidas antes do lançamento e instrumentadas no GA4 e no Microsoft Clarity.

≥40% Engajamento: dos visitantes abre ao menos uma promessa.
≥25% Educação: dos visitantes abre o módulo "Quem faz o quê?".
≥0,15 Mobilização: cliques em "compartilhar" por sessão (WhatsApp).
≥15% Retenção: de visitantes voltam em 30 dias.

10. Resultado da pesquisa e próximos passos

A pesquisa terminou com um mapa claro para decidir o que construir primeiro:

2 personas com mapas de empatia e necessidades documentadas.
2 jornadas mostrando pontos de dor, abandono e oportunidades de intervenção.
1 PRD com escopo de MVP, princípios de UX e roadmap em 3 fases.

Do PRD ao produto no ar:

  1. Wireframes em baixa fidelidade das 5 telas principais, para validar arquitetura antes do pixel.
  2. Protótipo médio-fi em Figma com 1 fluxo navegável end-to-end e componentes reutilizáveis marcados.
  3. Teste de guerrilha com 5 a 8 cidadãos de Palmital, com pelo menos 2 do perfil Cidadão do Povo.
  4. Iteração baseada nos achados. Reteste se as mudanças forem grandes.
  5. Implementação assistida por IA usando PRD + protótipo aprovado como verdade. Lançamento da PWA com 30 promessas pré-cadastradas.
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