Landing page da Quantum Vizz exibida em diferentes telas
Meu papel
UX Designer, da pesquisa à implementação
Período
8 semanas em 2025, do diagnóstico ao teste A/B.

Quantum Vizz

Redesenho da landing page de um estúdio de visualização 3D. A página recebia muitos cliques do Google Ads, mas quase não gerava contatos. Pesquisa, reorganização do conteúdo e teste A/B levaram a conversão de 0,71% para 2,09%.

Visão Geral

Time
Eu como UX Designer dentro da agência, em contato direto com o Iago, fundador do estúdio, e com o time de mídia.
Métodos
Pesquisa quantitativa com 19 arquitetos, inspeção de usabilidade guiada por heurísticas, benchmark de concorrentes e teste A/B.
Ferramentas
Figma, WordPress, Elementor, Hotjar, Google Analytics e Google Ads.
Principal resultado
Conversão de 0,71% para 2,09%, um aumento de 194%, e tempo médio de sessão 42,8% maior, sem aumentar o orçamento de mídia.
A nova versão da landing page, implementada no WordPress com Elementor

Eu não precisava de uma página mais bonita. Precisava descobrir por que quem clicava no anúncio não chamava no WhatsApp. A resposta estava na ordem do conteúdo.

1. O contexto e o problema

A Quantum Vizz é um estúdio fundado por Iago Godoy, designer 3D com formação em interiores e produtos. O estúdio tinha site, redes sociais e uma página de campanha para Google Ads, mas ainda dependia muito de indicação para vender.

O cliente do projeto era o Iago. O usuário final da página era outro: arquitetos e profissionais de interiores que precisavam avaliar rápido se valia a pena chamar o estúdio no WhatsApp.

Os anúncios atraíam cliques. O CTR era de 8%, acima da média do setor, estimada em 6,6% pela WordStream, PPC Benchmarks. O problema vinha depois: menos de 1% dos visitantes clicava no botão principal, o WhatsApp. A hipótese inicial foi simples: o gargalo estava na experiência da página depois do clique.

Briefing e restrições:

  • Negócio: visualização 3D para arquitetura, interiores e produtos.
  • Objetivo: transformar tráfego pago em contatos qualificados.
  • Macroconversão: clique no WhatsApp.
  • Público-alvo: arquitetos e profissionais de interiores.
  • Restrições: manter WordPress e Elementor, trabalhar sobre uma página já existente e não aumentar o orçamento de mídia.
  • Acesso inicial: Google Ads, página antiga, Figma e Hotjar.

2. A pesquisa com arquitetos

Antes de mexer na página, eu precisava entender quem era o cliente real do serviço. A pesquisa não estava no escopo inicial, então montei por conta própria um questionário curto para tirar a discussão do campo do gosto pessoal.

O formulário recebeu 19 respostas de arquitetos, divulgado em grupos de Facebook, Telegram e contatos diretos da área. Foi pesquisa possível para contexto de agência: barata, rápida e suficiente para orientar hipóteses.

Os principais achados:

  • 63% dos 19 respondentes tinham mais de 5 anos de atuação.
  • 47% dos 19 nunca tinham contratado renderização 3D, sinal de que a página precisava educar sem enrolar.
  • Entre os 10 que já contratavam, 9 (90%) usavam 3D para apresentar melhor o projeto ao cliente final.
  • Preço e qualidade visual eram os critérios mais fortes na contratação.
  • Indicação e Instagram apareciam como caminhos mais fortes que Google, então quem chegava pelo anúncio precisava confiar rápido.
  • Nas respostas abertas, os termos de busca giravam em torno de "render", "render arquitetura", "maquete eletrônica", "visualização arquitetônica" e "3D para interiores".
  • Nos critérios de portfólio, apareceram realismo, qualidade da imagem, iluminação, detalhamento, fidelidade e ângulo.
  • Entre quem respondeu a escala de impacto, todas as notas válidas ficaram entre 8 e 10.

Esse último ponto virou o centro do diagnóstico. O arquiteto sabe que imagem 3D vende, mas é o portfólio que convence. Quem chega por anúncio não quer decifrar a marca primeiro. Quer ver o trabalho pronto.

Publicação usada para divulgar a pesquisa com arquitetos
Pesquisa divulgada por iniciativa própria, fora do escopo do projeto, para validar o redesign com dados reais.

Também revisei três concorrentes diretos. Os mais fortes colocavam o portfólio logo no topo e usavam termos mais próximos da busca real dos arquitetos.

Baseline disponível antes do redesenho: conversão de 0,71%, CTR acima de 8% e saída de cerca de 50% dos visitantes antes da galeria.

19 arquitetos responderam à pesquisa que orientou o reposicionamento da página.
8%+ de CTR nas campanhas de Google Ads. O tráfego chegava, mas a página não convertia.
0,71% era a taxa de conversão inicial registrada antes do redesenho.
50% dos visitantes saíam antes de chegar ao portfólio, que estava quase no fim da página.

3. O que a página antiga colocava no caminho

Para complementar a pesquisa, fiz uma inspeção de usabilidade da página antiga e de três concorrentes diretos, guiada pelas 10 heurísticas de Nielsen. Foi uma avaliação de um único especialista, eu, e não uma avaliação heurística formal com três a cinco avaliadores. Por isso trato os achados como hipóteses fortes, não como veredito fechado.

A versão antiga da landing page: logo em destaque, portfólio escondido e dois botões concorrendo

Os gargalos mais importantes, com a heurística (ou o princípio de UX) que cada um tensiona:

  • Portfólio escondido (reconhecimento em vez de memória). O principal argumento de venda aparecia quase no fim da página.
  • Texto desalinhado da busca (correspondência com o mundo real). A página falava em "visualizações que emocionam", enquanto o público buscava termos como "render arquitetura" e "3D para interiores".
  • CTAs concorrentes (estética e design minimalista). A revista do Iago e o WhatsApp disputavam atenção, mesmo a campanha precisando levar ao contato.
  • Hierarquia invertida (arquitetura de informação e modelo mental do usuário, mais do que uma heurística específica). A página explicava antes de provar, mas o visitante precisava ver imagens para decidir se continuava.

O padrão dos concorrentes ajudou a validar a direção: proposta de valor clara no início, portfólio visível cedo e prova social perto da decisão. A galeria escondida deixou de ser uma impressão pessoal e virou hipótese de alto impacto.

4. Persona e jornada para deixar o raciocínio visível

Para não deixar as decisões só como opinião, transformei os achados em dois artefatos leves:

  • Proto-persona: um retrato do cliente típico, baseado nos 19 respondentes e em dados do II Censo do CAU/BR. Usei "proto" porque não houve entrevistas individuais.
  • Mapa de jornada: o caminho do arquiteto desde a busca por um profissional de 3D até o pós-serviço, destacando a fase em que a landing page travava: a consideração.

Esses artefatos deixaram claro por que mover a galeria, cortar ruído no CTA e reescrever os textos era uma decisão de experiência, não só de estética.

Como aumentar a taxa de conversão sem aumentar o investimento em mídia?

Essa foi a pergunta que orientou o redesenho. Os gargalos mapeados:

  • O portfólio, principal prova de valor para arquitetos, estava escondido quase no fim da página.
  • Os textos não usavam as palavras que o público dizia usar na busca por esse tipo de serviço.
  • Dois botões concorriam pela atenção e diluíam o foco no WhatsApp, que era o objetivo da campanha.
  • A ordem das seções priorizava discurso antes de evidência visual, contrariando o jeito como a pessoa avaliava o serviço.

5. Do diagnóstico às hipóteses de redesenho

Diagrama Double Diamond com duas fases: descoberta e definição do problema, seguidas de desenvolvimento e entrega da solução
O processo seguiu o Double Diamond: expandir para entender o contexto, afunilar para definir o problema, expandir para explorar soluções e afunilar para entregar.

Com os dados em mãos, reorganizei a arquitetura da página em torno de uma pergunta prática: o que o arquiteto precisa ver antes de chamar no WhatsApp?

As hipóteses priorizadas foram:

  • Colocar a galeria logo abaixo do topo deve reduzir a saída precoce, porque mostra o trabalho antes de a pessoa decidir ir embora.
  • Um grid de três colunas, sem o filtro cinza que escurecia as fotos, deixa o trabalho visível na hora, sem exigir interação.
  • Um topo com uma frase clara de proposta de valor, no lugar do logo, diz de imediato o que o serviço oferece e para quem.
  • Textos reescritos com as palavras reais das buscas aumentam a sensação de "cheguei no lugar certo" para quem veio do Google.
  • Tirar o botão da revista do caminho principal reduz o ruído e mantém o foco no objetivo.
Evidência Decisão Racional
Portfólio era o critério mais visual e a galeria antiga ficava depois de muita rolagem. Levar a galeria para a segunda dobra. O visitante precisava validar qualidade antes de ler processo, pacotes ou discurso de marca.
As respostas abertas falavam em render, maquete eletrônica, visualização arquitetônica e 3D para interiores. Reescrever headline e textos com termos mais próximos da busca. Quem vinha do Google precisava reconhecer em segundos que estava no serviço certo.
O objetivo da campanha era contato pelo WhatsApp, mas a revista disputava atenção. Remover o CTA concorrente do caminho principal. Menos opções no momento crítico reduzem indecisão e direcionam para a macroconversão.
Hotjar indicava saída antes da galeria, e os concorrentes fortes mostravam projeto cedo. Priorizar prova visual antes de explicação. Não era só preferência estética: comportamento, concorrência e pesquisa apontavam para a mesma direção.

Essa direção não foi aceita de primeira. O escopo inicial era mais próximo de ajuste visual, e eu precisei defender em reuniões com meu chefe e com o Iago que a página deveria ser refeita com base na pesquisa. O argumento foi: se o problema estava depois do clique, melhorar estética sem reorganizar prova, copy e CTA dificilmente mudaria conversão.

O protótipo também não saiu pronto. Trabalhei primeiro no Figma, comparando wireframe e protótipo, ajustando ordem de seções, destaque da galeria, peso do hero e foco do CTA antes de levar a solução para o WordPress. A validação foi enxuta: apresentei a proposta ao time e mostrei a nova estrutura para um arquiteto do meu círculo.

Essa conversa com o arquiteto não foi um teste de usabilidade formal. Foi uma checagem visual e comercial: se a landing page parecia clara, se os projetos estavam bons e se ele consideraria contratar o serviço. A resposta foi positiva nos três pontos, então usei isso como sinal qualitativo leve, não como validação estatística.

Com a direção aprovada, implementei a nova versão no WordPress com Elementor e subi o teste A/B com tráfego dividido entre V1 e V2. O evento de sucesso foi o clique no WhatsApp, que era a macroconversão da campanha.

6. A solução: portfólio antes do discurso

Quatro mudanças resolveram o desalinhamento entre o que a página mostrava e o que o arquiteto precisava decidir:

  • Portfólio logo abaixo do topo. A galeria virou o segundo elemento da página.
  • Grade de três colunas, sem filtro escuro. As imagens ficaram visíveis sem depender de hover ou interação.
  • Topo com proposta de valor. O logo saiu do lugar principal e deu espaço a uma frase que explicava o serviço.
  • Textos alinhados à busca. A comunicação saiu de uma promessa genérica e passou a usar termos próximos dos arquitetos.

Para quem não é técnico, a mudança foi simples: mostrar prova antes de discurso. Para quem olha o funil, foi uma redução de fricção entre clique no anúncio, avaliação do serviço e clique no WhatsApp.

Seção 01 · Topo

Proposta de valor no lugar do logo

Antes Topo original com logo Quantum em destaque
Depois Topo redesenhado com mensagem de valor em destaque

O topo deixou de priorizar a identidade visual isolada e passou a explicar, em poucos segundos, o que o serviço entregava e para quem.

Seção 02 · Galeria

Portfólio mais cedo na página

Antes Segunda dobra original sem galeria de projetos
Depois Segunda dobra redesenhada com galeria de projetos

A galeria saiu de uma posição tardia e foi levada para perto do topo, para que o arquiteto visse a prova visual antes de decidir sair.

Seção 03 · Prova

Mais evidência antes da decisão

Antes Terceira dobra original antes da reorganização
Depois Terceira dobra redesenhada com mais prova visual

A seção passou a aproximar exemplos visuais e sinais de confiança do momento em que a pessoa avalia se continua na página.

Seção 04 · CTA

Chamada final mais direta

Antes Quarta dobra original com pacotes e grid de fotos
Depois Quarta dobra redesenhada com chamada para ação

O caminho principal ficou mais focado no contato, reduzindo distrações e levando a decisão para o WhatsApp.

7. Build e QA: a página também precisava carregar melhor

Além de reorganizar o conteúdo, a nova versão recebeu ajustes técnicos que afetam velocidade, manutenção e conversão.

As imagens antigas estavam em PNG, pesando entre 500 KB e 1 MB cada. Converti tudo para WebP e reduzi o peso médio para cerca de 100 KB por imagem. Foi uma queda aproximada de 80% no peso dos arquivos, sem perda perceptível de qualidade.

Refiz a construção no Elementor usando cores globais, fontes globais e blocos reutilizáveis. Isso funcionou como um kit simples do projeto: mais consistência visual e menos retrabalho em ajustes futuros.

Também simplifiquei o caminho principal da página: menos distrações, CTA focado no WhatsApp e conteúdo organizado para funcionar melhor no celular.

Não registrei nota de PageSpeed ou Core Web Vitals antes e depois. Por isso, trato a melhoria de performance como ganho técnico esperado, não como número comprovado.

8. O impacto: +194% de conversão, sem aumentar mídia

O teste A/B rodou com 4.484 sessões no total, divididas quase igualmente entre a versão antiga e a versão nova.

0,71% taxa de conversão da versão antiga
2,09% taxa de conversão da nova versão
+194% crescimento relativo confirmado no teste A/B
Métrica V1 antiga V2 nova
Sessões 2.342 2.142
Conversões 16 44
Taxa de conversão 0,71% 2,09%
Tempo médio de sessão referência +42,8%
Resultado do teste A/B com V1 em 0,71% e V2 em 2,09% de conversão
Registro do teste A/B usado para validar o ganho de conversão.

Cálculo do crescimento:

A variação percentual compara a nova taxa com o ponto de partida.

((2,09 - 0,71) / 0,71) x 100 = 194,36%

Arredondado, o crescimento relativo fica em +194%. O objetivo era comparar o desempenho da V2 contra a V1, não mostrar apenas a diferença absoluta.

A leitura simples: a nova versão gerou 44 conversões contra 16 da antiga, com o mesmo orçamento de mídia. Para a leitura técnica, o teste de duas proporções indicou diferença significativa, com z aproximado de 4,0 e valor-p menor que 0,001. A ferramenta reportou taxa sobre visitantes únicos, enquanto a tabela mostra sessões totais, então dividir conversões por sessões dá um número um pouco menor, mas a conclusão não muda.

Sobre causalidade, sendo honesto: a V2 mudou vários elementos ao mesmo tempo, como galeria, copy, CTA, grid e hero. O teste prova que o conjunto venceu, não qual mudança isolada pesou mais. A direção é coerente, porque pesquisa, benchmark e comportamento apontavam todos para a hierarquia da prova visual. Na V1, o Hotjar mostrava cerca de 50% dos visitantes não chegando à galeria; na V2, ela foi para o início e os dados de navegação mostravam as pessoas vendo os projetos. Ainda assim, isolar o peso de cada peça exigiria testes sequenciais ou multivariados. Por isso trato a reorganização da prova visual como a hipótese mais provável, não como causa única comprovada.

9. Transparência: o que ficou fora da medição final

Nem todo dado do processo ficou preservado. Os registros de comportamento do Hotjar usados no diagnóstico não estão mais disponíveis para exportação, mas os padrões observados na época, como a saída antes da galeria, orientaram as hipóteses que o teste A/B depois confirmou.

Uma ressalva sobre a métrica de sucesso: a conversão medida foi o clique no WhatsApp, a macroconversão definida pela campanha. É um indicador forte de intenção, mas um clique não é o mesmo que um lead qualificado ou uma venda fechada. Essa etapa final do funil ficou fora da minha medição.

Também instalei uma pesquisa de satisfação, NPS, durante o teste. A taxa de resposta foi quase zero, o que fazia sentido para esse contexto: quem chega por anúncio está decidindo se chama no WhatsApp, não avaliando a experiência.

Alguns dados complementares não foram preservados, como baseline completo de GA4 e medições de PageSpeed antes e depois. Por isso, deixo esses pontos fora da argumentação principal. O impacto central se sustenta no teste A/B.

10. Aprendizados e encerramento

O principal aprendizado foi sobre ordem de prioridade. O dono do negócio queria apresentar identidade e processo. O arquiteto que chegava pelo Google queria ver portfólio. Resolver esse desencontro foi o que moveu a métrica.

A pesquisa com arquitetos, mesmo pequena, foi suficiente para trocar gosto pessoal por hipótese testável. Ela também revelou que indicação e Instagram tinham mais força que busca no Google, insight que repassei para a equipe de redes sociais.

Como próximo passo, eu testaria variações do texto principal e revisaria a seção de pacotes, que ficou depois do botão principal. Também rodaria testes sequenciais para isolar qual das mudanças da V2 mais pesou na conversão, já que o A/B validou o conjunto, não cada peça.

Como o projeto terminou:

No início de 2026, o Iago começou um projeto pessoal que reduziu a disponibilidade dele para atender novos clientes. O volume de contatos gerado pela página, somado ao que vinha das redes sociais, com um plano de conteúdo orientado pelos insights da pesquisa, passou da capacidade operacional do estúdio naquele momento. A página foi retirada do ar por decisão do cliente.

O encerramento não foi uma falha de resultado. Foi uma consequência de capacidade: o canal funcionava.